sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sobre os Eixos Temáticos

Olá pessoal,


No encontro que tivemos nesta última quinta-feira no Instituto, foram colocadas algumas expectativas em relação ao curso de Artes Dramáticas e sua estruturação.

Um dos pontos mencionados foi sobre a formatação de nossa Grade Curricular.

O termo “Grade Curricular” se refere à lista de matérias ou disciplinas que formam um curso. Tradicionalmente, o curso Ensino Médio, por exemplo, tem na sua grade curricular as disciplinas: artes, biologia, educação física, filosofia, física, geografia, história, inglês, língua portuguesa, matemática, química e sociologia.

Alguns estudos defendem algo diferente deste tipo de organização curricular para o processo de ensino e aprendizado e sugerem uma grade curricular que esteja orientada por Eixos Temáticos.

O problema fundamental da organização tradicional das disciplinas, segundo estes estudos, reside no fato de que o conhecimento é abordado de forma fragmentada, ou seja, dividido em diversos compartimentos que não se comunicam entre si. Como se pegássemos algo que é inteiro, dividíssemos em várias partes e guardássemos cada pedaço em gavetas sem contato umas com as outras.

Provavelmente todos já tivemos a sensação, no Ensino Médio, de estarmos aprendendo coisas sem nenhuma ligação com nossa vida, com nosso cotidiano. Os conteúdos aprendidos na escola não fazem muito sentido pra gente a não ser quando pensamos em prestar concursos e vestibulares.

Mas a Educação pretende ir além da preparação para concursos. Ela pretende fazer com que saibamos compreender o mundo.

Esta sensação de distanciamento entre coisas aprendidas na escola e o nosso dia a dia não é só desculpa de quem não gosta de estudar. Ela tem algum fundamento.

O fato é que no nosso dia a dia nos relacionamos com diversas situações que nos trazem problemas e exigem soluções. E gostaríamos que na escola fôssemos preparados para lidar melhor com tais situações e para resolver os problemas que enfrentamos. Não só no nível objetivo, mas também subjetivamente, como lidar com conflitos familiares ou amorosos, optar por uma profissão, saber quem somos... Mas isso não acontece. Por quê?

Para resolvermos um problema precisamos conhecê-lo. Adquirir conhecimento sobre a determinada situação. E na prática, uma situação nunca possui elementos apenas de matemática. Ou de história. Ou de arte.

Cada situação de nosso cotidiano, cientificamente falando, está formada por todas as matérias que aprendemos na escola. Por exemplo: se vamos preparar uma refeição, isto envolve problemas básicos de matemática, física, biologia, química, história, geografia, arte, língua portuguesa... Se vamos dirigir um automóvel, a mesma coisa. Se vamos procurar vagas em uma Van para o Instituto, a mesma coisa... afinal, temos que compreender que dois corpos não poderão ocupar o mesmo lugar no banco (física), que talvez a mensalidade seja mais alta do que minha possibilidade financeira permite (matemática), que terei de argumentar com o motorista minha necessidade pela vaga (língua portuguesa), que fechar negócio com uma Van que vai de Santo Antônio para Jacarezinho não vai resolver meu problema se eu moro em Cambará (geografia), etc, etc, etc.

Enfim, os problemas que o mundo nos coloca necessitam ser compreendidos em sua totalidade, e esta totalidade é formada pelas diversas áreas do conhecimento que estudamos de forma fragmentada, dividida.

A proposta dos Eixos Temáticos procura dar resposta a este impasse. A grade curricular, desta forma, não estaria organizada por uma divisão do saber em diversas matérias. Mas sim, por um Eixo Temático.

Funciona mais ou menos assim. É selecionada uma determinada situação problema com o qual podemos nos deparar em nossa vida. Esta situação seria o Eixo Temático. E na tentativa de resolvermos tal problema é que vamos selecionando os conhecimentos disponibilizados pelos conteúdos escolares.

Tentando dar um exemplo específico do curso de Artes Dramáticas. No trabalho com o teatro, um problema base seria a montagem de um espetáculo. Quem já se aventurou nisso sabe o problemão que se arruma pra cabeça. Montar um espetáculo seria então nosso Eixo Temático. Esse problemão se desdobraria em vários problemas menores, que residem nas diversas áreas do conhecimento teatral, como a interpretação, a dramaturgia, cenário, iluminação, produção, rentabilidade, etc. Estas áreas estão, no curso de Arte Dramática assim como matemática e língua portuguesa estão para o Ensino Médio. E na tentativa de solucionar estes pequenos problemas é que seriam abordados os vários “tipos” de conhecimento que caracterizam o Teatro, sem no entanto, distanciar-se do problema maior que é montar a peça.

Desta forma, estaríamos assimilando os conteúdos teóricos necessários de uma maneira comprometida com prática, e vice-versa, assimilando saberes práticos de uma maneira comprometida com os conteúdos teóricos.


Bom... achei que poderia tentar oferecer alguma contribuição para a melhor compreensão da Grade Curricular e dos Eixos Temáticos, já que sou recém-formado em filosofia, e este curso nos motiva muito a fazermos este tipo de discussão.

Espero que tenha ajudado.

Esclareço que minha intenção aqui foi somente informar sobre um tema que acredito ser de pouco conhecimento do pessoal. Sem pretensão de formar opinião contra ou a favor sobre qualquer um dos métodos. Ambos possuem seus pontos positivos e possibilidades de apreensão e produção de conhecimento.

Independente do critério selecionado pelos nossos professores para a organização da grade curricular, estou certo de que teremos um excelente curso. Aos professores e responsáveis, caso eu tenha dito alguma bobagem, por favor me corrijam.

Mais uma vez, espero ter colaborado. Até semana que vem.